2.12

Ato de desagravo é marcado por forte discurso pelo respeito às prerrogativas

Dezenas de profissionais da advocacia marcharam da sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) rumo ao prédio da Turma Recursal, para o desagravo público em favor da advogada Fernanda Rondon Rodrigues, nesta sexta-feira (27). Ela foi alvo de ofensas proferidas por uma magistrada no momento em que fazia sustentação oral em julgamento.

A situação mobilizou profissionais da Capital e do interior, comprometidos em resguardar as prerrogativas da advocacia. Em um ato repleto de falas marcantes, a advocacia reafirmou o seu papel como pilar da democracia e sua importância na manutenção do estado de direito, mostrando-se intransigente na defesa das prerrogativas dos mais de 28 mil advogados e advogadas do Estado e mais de 1 milhão pelo país.

Confira os principais trechos dos discursos realizados ao longo da manhã de protestos:

 

Presidente da Comissão dos Juizados Especiais responsável pela gestão do escritório Carlos, Marques, Viera e Davanso Advogados Associados de Cuiabá, Mato Grosso, Munir Salomão – “Não podemos admitir a violação de uma colega como ocorreu neste caso. Não é o primeiro relato contra a mesma juíza e não podemos nos acanhar. Temos que fazer isso para mostrar força e cobrar por respeito. Me emociono por ver todos aqui unidos, no meio da pandemia. Espero que a advogada ofendida se sinta abraçada. ”

Presidente da OAB-MT, Leonardo Campos – Somos a gestão do encontro, mas não nos furtamos ao confronto se preciso for. Portanto, saibam: não transigiremos! Onde houver um advogado ou advogada que tenha suas prerrogativas violadas, tenham certeza que lá estará a OAB. É preciso deixar claro que a Justiça mato-grossense é composta, em sua maioria, por juízes e juízas que bem cumprem sua função e respeitam a advocacia, temos excelentes. Mas, ainda que na exceção, é preciso reforçar que só há justiça se há advogado e advogada atuando de forma autônoma, independente, sem subordinação. É preciso reforçar que somos a advocacia e por isso não pedimos licença. Não nos peçam silêncio porque somos a voz da democracia!

Advogada desagradava, Fernanda Domingas Rondon Rodrigues – “Agradeço a todos que abraçaram esta causa. Estamos aqui hoje para mostrar que todos somos iguais e que devemos ser tratados com respeito e dignidade, cada um em sua função. No dia do ato eu estava gestante, de oito meses, e nem isso fez com que a juíza tivesse medo ou vergonha ao me desacatar no exercício da minha profissão. Eu estava ali trabalhando, fazendo o meu papel de advogada ao defender os interesses dos meus clientes. E sei que, assim como aconteceu comigo, ela desacatou outros advogados que vieram até mim me parabenizar por ter levado a questão a frente. Estou feliz que tantas pessoas abraçaram essa causa. Precisamos de respeito!

 

Fonte: OAB/MT